Bloqueio criativo ou procrastinação coletiva?

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É comum nos grupos que frequento de autores ouvir o povo reclamando de bloqueio criativo. A maioria fala da mesma coisa: Eu tenho a ideia, mas quando vou colocar ela no papel, não flui. Ou então: eu não consigo nunca terminar as minhas histórias, elas ficam lá paradas porque ou me falta tempo ou me falta criatividade.

PODE PARAR POR AÍ!

Sim, isso foi um grito. Eu sou uma pessoa que não acredita em bloqueio criativo. “Ah, Luísa! Para! É que você nunca sofreu com isso!” Não gente, não é isso! Tenho um livro inacabado desde 2010 que eu sempre prometo que vou voltar a ele e nunca volto. Assim como tenho livros que eu sentei e escrevi em duas semanas.

Bloqueio criativo é o nome bonito que a gente inventou para dizer ao mundo que sofremos de um mal chamado procrastinação que parece palavrão e lembra preguiça.

Por que eu penso isso? Porque eu sei que quando queremos conseguimos fazer a nossa história. Às vezes, podemos dar uma empacadinha porque falta o gancho certo. Levamos alguns dias pensando na melhor forma de costurar as coisas, mas isso não significa que estamos com um bloqueio, é apenas a espera pela ideia perfeita. E isso é bem diferente do tal bloqueio.

O que acontece com a maioria de nós é que procrastinamos mesmo. Ficamos esperando pelo momento perfeito, aquele da casa em silêncio, da temperatura agradável, do tempo disponível, da vista para o campo e da xícara de café perfeita. Bolamos a história em nossa cabeça, damos pernas, braços, olhos e coração para ela, tudo na nossa imaginação e na hora de colocar no papel? Na hora de colocar no papel a gente inventa que não tem tempo, que tem muito barulho, que tem aquela série incrível pra terminar ou aquele baita livro para acabar de ler e… adiamos. Adiamos a escrita, porque a ideia está lá, confortável vivendo em sua cabeça. Ela não vai sair dali pra outro lugar. Estamos seguros. Nós e a ideia.

Mas a verdade é que escrever é parar de procrastinar. Parar de inventar desculpas. Parar de dizer que não conseguimos colocar a ideia no papel.  A gente fala de bloqueio literário como se fosse uma coisa linda sofrer dele. Mas ele é só a desculpa que você criou para continuar procrastinando.

Ok, então fazemos o que?

Fazemos o óbvio, escrevemos. Paramos de nos prender a todos os fatores externos e colocamos metas, prazos e recompensas em nossas vidas para escrevermos. Eu, por exemplo, tirando a semana da TPM que não da pra conviver comigo mesma, só me permito ver a minha série favorita quando eu cumpro a minha meta de escrita. Se é um livro só quando eu terminar de escrevê-lo.  Funciona? Claro que sim. Eu sou um ser humano fanático por séries e saber que ao terminar de escrever aquele trabalho eu poderei ver toda a minha série em maratona é o melhor presente que posso me dar.

Eu também organizo minha agenda com essas metas. Se eu estou escrevendo um novo romance, me organizo para escrevê-lo em x tempo. Para isso preciso dedicar, todo o dia, um número x de horas para cumprir a meta.  E assim por diante. No seu outro trabalho você não tem prazos, horários e metas a cumprir? Porque então com a sua escrita deveria ser diferente? Além disso, escrever é um hábito, que deve ser colocado na sua rotina, como acordar, escovar os dentes e fazer xixi. Ninguém aperfeiçoa nada sem dedicação.

Então é isso…

Pare de achar bonitinho dizer que tem bloqueio criativo e escreva. Pare de procrastinar, incorpore a escrita em sua rotina, se de prazos, metas e recompensas e principalmente escreva!

E se você não está ainda escrevendo um livro, mas quer se preparar para isso, aconselho a acompanhar o projeto da Escritor Publicado, 365 dias de escrita, que te da sugestões de temas todos os meses, para ter assunto para escrever todos os dias. Lembre-se! Escrever é uma rotina, como outra qualquer na sua vida!

 

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