5 melhores momentos da palestra de David Grossman

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David Grossman, escritor Israelense e pacifista, esteve neste domingo no Theatro São Pedro em evento da Feira do Livro de Porto Alegre em parceria com o Fronteiras do Pensamento. Quem nos acompanha no Insta já sabe que eu estive lá e que a palestra do autor, mediada por Adriana Carranca. David mostrou toda sua sensibilidade em uma conversa permeada de ótimos momentos e ensinamentos. Aqui estão algumas das falas que mais marcaram da palestra:

“Esperança é um ato de imaginação”

Uma das coisas marcantes que o autor falou foi que ele escreve sempre a mesma história. Seus livros são sobre um personagem que tenta se imaginar fora da situação difícil em que se encontra. Tratam essencialmente de esperança, de imaginar, em meio ao caos, uma saída possível.

“Eu tinha que me render à personagem”

Seu livro “A Mulher Foge” tem como personagem principal Orah, uma mulher que desafia a sua realidade na fuga, decidindo não esperar para receber as más notícias inevitáveis de seu filho, que está no exército, como se o fato de ela não estar lá fizesse com que a notícia mudasse. Escrevendo, revelou o autor, ele teve um bloqueio ao escrever Orah e, numa tentativa de desbloqueio escreveu uma carta para a personagem em que perguntava porque ela não se rendia a ele. Foi então, escrevendo a carta, que percebeu que para terminar o livro era ele quem tinha que se render a personagem. Aceitar sua feminilidade, colocar-se no lugar dela e não tentar submete-la às suas palavras.

“Um escritor é alguém que se sente claustrofóbico nas palavras dos outros”

Para Grossman, escrever foi uma forma de retomar a sua vida após a morte do filho. Retomar os problemas, dar nome a eles, escrever a sua própria versão dos acontecimentos é, segundo o autor, uma forma de se libertar do papel de vítima. Você não precisa ser definido pela tragédia, pode se apossar dela, ressignifica-la, e a escrita é uma forma de tomar posse dos acontecimentos. Contar a sua própria versão no lugar de viver a versão dos outros.

“Contar história é uma forma de experimentar todas as possibilidades de si mesmo.”

O autor enfatizou que escrever, experimentar os personagens é uma forma de sentir sua fragilidade, de enxergar todos os rumos diferentes que poderia ter tomado se as circunstâncias fossem diferentes. É um exercício de se colocar no papel do outro e isso ajuda a entender, a ser mais tolerante e a julgar menos o outro.

“Literatura é uma forma de música”

Ao revelar que lê em voz alta as últimas versões de seus livros, o autor disse que para ele literatura é uma forma de música. As palavras precisam soar bem aos ouvidos do leitor, o ritmo, a escolha de palavras, os sons, tudo ajuda a contar a história. É uma visão mais ampla e mais poética do texto. Isso também explica porque o autor faz tantas versões, mudando palavras até chegar ao tom exato de cada parágrafo. Ao final da palestra o autor nos brindou com a leitura de um trecho do seu livro mais recente “O inferno dos outros” em sua língua original.

Essa semana estarei lendo a minha cópia autografada de O Inferno dos Outros. Também está lendo? Quer comentar com a gente? Poste nas redes sociais com a hashtag #LeiturasEP

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