Eu escrevo bem o suficiente para publicar?

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Uma coisa que faz muitos autores para paralisarem é o medo de não escrever tão bem.

Claro,  a gente sempre incentiva que vocês façam cursos ou oficinas de escrita criativa, que você possa aprender com escritores mais experientes do que você, mas entenda que todo escritor tem a sua própria trajetória o seu próprio aprendizado e você não pode deixar de escrever porque o seus primeiros textos não vão ser tão bons assim.

De fato, é muito importante que você treine para conseguir atingir o seu melhor. Ou seja, mesmo que o seus textos ainda não estejam tão bons quanto você gostaria, é importante escrever mais – e rescrever. Afinal, você não vai aprender nada se não colocar a mão na massa. Da mesma forma, é importante compartilhar os seus textos com outros escritores para que você tenha noção da qualidade da sua escrita e consiga aprender com seus próprios erros.

Outro erro muito comum é se comparar com os grandes escritores do passado, os grandes clássicos.

A verdade é que você nasceu num contexto diferente,  em uma época diferente da deles. Isso quer dizer que tanto a sociedade quanto a linguagem evoluíram. Ou seja está tudo diferente, por isso que a gente não pode querer escrever hoje como Shakespeare escrevia há séculos atrás.

Pare de colocar metas não realistas para você. Tenha em mente a sua capacidade de escrita, o seu histórico, quem é você, o seu repertório. Esses são os elementos que vão construir a sua escrita, a sua voz. E não tem problema se ela for diferente dos autores clássicos que estudamos.

Tudo bem você não escrever tão bem quanto o Charlotte Brontë, Buckowski,  ou seja lá quais forem as suas referências. Eles fazem parte de outro contexto, tinham que retratar outra época. Os temas e a linguagem que usaram refletem isso, são um produto do contexto e do recorte de cada um.

Por isso, antes de pensar que você quer escrever como este ou aquele autor, pense no que você quer retratar? Qual é a realidade da qual você quer falar no seus textos? Que época? Para que leitores você está escrevendo? Tudo isso é importante na hora de medir a qualidade literária do seus textos. Pois qualidade, nesse caso, também tem a ver com adequação.

Não se compare com os clássicos antigos. Analise o seu texto independente das referências que vocês tem de escritores.

Ter referência e experiências de leitura são importantes, óbvio. Eu jamais falaria contra isso. A questão é que ao estudar um autor, você deve entender também o contexto em que ele escreveu. E deve saber que esse contexto não necessariamente se adapta a sua realidade, ao seu meio. É muito bom ter referências de escritores com diferentes estilos, mas tenha em mente que esta é a sua bagagem para desenvolver a sua voz enquanto escritor, não um parâmetro de qualidade, nem um trabalho que deve ser emulado, copiado.

Não deixe as suas referências referências literárias te paralisarem. A sua carreira de escritor é apenas sua.

Não faz sentido tentar replicar um estilo que não é seu e com qual você não se sentir confortável apenas para ser mais parecido com o com o autor que você admira. Tudo bem a sua linguagem ser atual se você está falando com público de hoje. Isso vai fazer com que você se conecte mais facilmente ao seu leitor, inclusive.

Por isso, escritor, leia, muito, mas tente encontra a sua voz. Para fazer isso você precisa escrever cada vez mais. Ler e reler os seus próprios textos, buscar a linguagem que melhor se adapta a realidade do seu público, para que ele te compreenda melhor também.

Busque as oficinas de escrita, ou grupos de escritores e troque textos e experiências com esses profissionais para melhorar a sua escrita cada vez mais.

Não fique parado.

Escrever e deixar os seus textos na gaveta porque ainda não são bons o suficiente, ou qualquer outra desculpa que você tenha inventado para si mesmo não vai te ajudar a melhorar. Esteja em movimento. Escreva, reescreva, revise e publique. Busque opiniões dos seus diferentes públicos.

É o movimento que vai te fazer melhorar e se sentir mais seguro.

Aprenda a ouvir as críticas.

Porque toda essa conversa de escrever e reescrever e buscar as opiniões não serve para nada se você for simplesmente descartar as críticas construtivas. Você deve buscar pessoas íntegras e de confiança para mostrar os seus textos. Pessoas que realmente se interessem em te ver crescer. Procure as pessoas certas e esteja aberto as críticas que elas te fizerem.

Se você não for ouvir ninguém, não adianta buscar as opiniões, não é mesmo?

Todo mundo erra e você também vai errar na construção do seu caminho. Aprenda com os seus erros. A melhor forma de fazer isso é aplicando as dicas de professores e outros escritores para você melhorar sempre.

Quando for olhar os seus textos mais antigos, seja generoso consigo mesmo. É normal, quando a gente evolui, ter uma certa vergonha do que escreveu há tempos atrás. Isso quer dizer que você, de fato, aprendeu e melhorou. Dê sempre o seu melhor. Faça o melhor que você pode hoje e busque crescer. O seu melhor texto tem que ser sempre o próximo se você quer ter uma carreira de escritor de sucesso.

Ao invés de pensar em como você errou no início de carreira, pense em quanto você melhorou desde que começou. O simples fato de identificar esses erros já mostra a sua evolução.

Por isso, escritor, não tenha medo de libertar os seus textos para o mundo e conquistar os seus primeiros leitores. Isso não significa apressar o processo de escrita. Pelo contrário, dar o seu melhor quer dizer, entre outras coisas, respeitar as etapas de revisão e reescrita, mas tendo feito isso, publique.

Em resumo, escritor, se você fizer a sua parte e der o seu melhor, o seu texto estará sim pronto para a publicação!

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