Revisão: o primeiro passo depois de terminar de escrever

Revisão - primeiro passo

Convidamos a autora Luisa Aranha para compartilhar com a gente e com você um pouco do seu processo de escrita e publicação enquanto Escritora Independente. Para a felicidade de todos, ela topou e vai fazer uma série de artigos esclarecendo algumas dúvidas de quem está iniciando neste caminho da autopublicação.
Sem mais, fiquem com a Luísa e o que fazer depois do manuscrito.


Terminou de escrever sua história e não sabe o que fazer? Vê vários colegas falando que revisam o próprio texto um milhão de vezes e você não consegue ler nem uma vez o seu manuscrito? Calma! Relaxa que tudo dá certo no final.

Assim que você termina de escrever, nem adianta querer ler seu texto de novo. Se fizer isso vai acontecer uma dessas duas coisas: ou você vai mudar todo ele, achar uma droga e jogar na lata do lixo com o botão delete  ou você vai ler todo ele e não vai encontrar nenhum erro sequer.  E não se considere um idiota total por isso. Acontece com todo mundo. Achar que tudo é ruim é uma parte do nosso inconsciente que não nos permite elogios. E não encontrar erros é uma parte do nosso cérebro que completa automaticamente nossas frases pois elas também estão armazenadas no nosso inconsciente.

Então o que eu devo fazer quando termino meu manuscrito?

Cada um tem um ritmo próprio e não existe uma regra perfeita. Isso não é matemática e sim literatura. O que funciona para mim pode não funcionar para outros autores e assim por diante. O que eu costumo fazer é deixar o texto descansar por uns dias, tentando não pensar nele (o que às vezes é muito difícil pois sofro de ansiedade mórbida), depois eu faço a leitura dele em voz alta, gravando no celular para poder escutar depois. Normalmente quando lemos dessa forma, a atenção que despendemos é diferente de quando fazemos uma leitura silenciosa e isso faz com que a gente consiga perceber alguns erros de ortografia e concordância. Não são todos, mas alguns eu consigo eliminar com essa estratégia.

Depois disso, não tem como fugir. Pra gente ter um texto mais fluído e sem erros é preciso um revisor profissional. E  não tô falando daquele seu amigo fera em português. Por mais que ele possa até ajudar, só um revisor com técnicas específicas consegue perceber algumas coisas que aos olhos de qualquer outra pessoa passaria despercebido. Existem muitos profissionais no mercado e com preços variados.  Se você tem muitas opções para escolher e não sabe quem contratar a minha dica seria: procure pessoas que já revisaram textos com esses profissionais e pergunte se: o revisor, manda o texto marcado com as alterações? Ele faz observações sobre termos que ficariam melhor? Ele emite alguma opinião ao finalizar o trabalho?

Por mais que não seja a função do revisor emitir opiniões sobre o seu texto, os que fazem isso acabam se destacando no mercado, pois dá para perceber que a revisão foi além da gramática e entrou na área da interpretação do texto, o que também é necessário para um bom texto.  A questão da marcação das correções no texto é relevante para revisarmos e aprendermos onde estamos errando a mão e, assim, corrigirmos também as nossas falhas.

Eu não considero que o preço seja o decisivo na hora da contratação. Já trabalhei com profissionais que cobram abaixo do valor de mercado e fazem um excelente trabalho e com profissionais com preços exorbitantes que não são tão bons assim. O importante mesmo para a contratação é ter indicações e referências do trabalho do profissional.

Depois do seu texto ter passado pela primeira revisão (sim, se faz mais uma) é hora de encaminhar aos leitores beta, mas isso é assunto pro próximo post!


As opiniões aqui expressas são de exclusiva responsabilidade do autor do texto e não refletem necessariamente o posicionamento oficial da Escritor Publicado

Publicação Digital – O que, como e porquê.

Aqui na Escritor Publicado, já vimos três formas que você pode publicar um livro, incluindo as dificuldades e pontos que devem ser considerados. Esta semana, explico com mais detalhes o que é a publicação digital, as formas de se publicar e porque vale a pena investir no digital.

O que é a publicação digital?

Como diz o título, é publicar online, como ebook ou em plataformas digitais próprias para isso.

Há diferentes meios e plataformas para lançar o seu livro digital. E o processo é muito mais rápido e econômico do que o tradicional, uma vez que não se tem o investimento com o livro físico, nem o tempo de impressão do mesmo. 

Por outro lado, a divulgação do livro deve ser muito bem planejada e executada. Uma vez que não se pode contar que o leitor simplesmente encontre o seu livro, em meio há tanta informação na internet,  é necessário ter um público-alvo e ações bem definidas para tornar seu livro um sucesso.

Por quê?

A publicação digital é uma boa forma de dar os primeiros passos na sua carreira como escritor. Encontrar seus primeiros leitores e ter o feedback deles pode servir até como motivação para escrever e publicar cada vez mais e com mais qualidade também. 

Essa conexão com o público é muito importante para a sua carreira, e para conseguir mais leitores em publicações futuras. Muitos escritores também mantém blogs e/ou contas em redes sociais e utilizam essas plataformas para interagir com outros autores e leitores, o que facilita muito a divulgação depois.

Outro ponto, claro é o valor. A produção de um e-book para venda na Amazon, por exemplo, é muito mais acessível ao autor independente do que o livro físico, mesmo contratando bons profissionais ou uma editora digital para fazê-lo.

Como se publica?

Editoras digitais

São ótimas para quem almeja publicar um e-book, mas não possui tempo ou conhecimento para ser responsável por todo o processo editorial. Neste caso, cabe a editora fazer a correção, editoração e capa do seu livro para a publicação digital.

Buscar uma editora digital é adequado para quem quer publicar seu livro sem grandes surpresas e esta disposto a pagar para que isso aconteça. O investimento é bem menor do que o de um livro físico, pois não tem o custo de impressão, distribuição, etc.

Kindle Direct Publishing

Ferramenta de auto-publicação da Amazon, o Kindle Direct Publishing (KDP) facilita a publicação de autores independentes. E o melhor? Em um dos maiores e-commerces do mundo.

O processo é muito rápido. Você prepara o seu ebook com a ferramenta e ele fica disponível para compra na Amazon em até 48 horas. Além disso, dá para disponibilizar as obras em diferentes idiomas e estar presente no Kindle app e Kindle Unlimited.

Na Amazon o autor fica com 70% do valor do e-book.

Wattpad

Queridinho de muitos, é uma comunidade de publicação online. Frequentada por muitos leitores, escritores e, inclusive, editoras, é um ótimo lugar para divulgar parte ou até toda uma obra.

Muitos escritores independentes lançam trechos dos seus livros como uma espécie de chamariz para a obra completa. No entanto, há vários casos de autores cujo trabalho foi “descoberto” por editoras e lançado como livro físico por causa do Wattpad.

É a  forma mais fácil de se publicar online, pois basta um nome e um email de contato para divulgar o seu trabalho. Simples assim, mas vale lembrar que é bom proteger a sua obra antes de postar em plataformas abertas.


Curtiram? Já publicam usando alguma dessas ferramentas? Ou usam outra plataforma? Contem pra gente nos comentários.

5 melhores momentos da palestra de David Grossman

Theatro São Pedro
David Grossman, escritor Israelense e pacifista, esteve neste domingo no Theatro São Pedro em evento da Feira do Livro de Porto Alegre em parceria com o Fronteiras do Pensamento. Quem nos acompanha no Insta já sabe que eu estive lá e que a palestra do autor, mediada por Adriana Carranca. David mostrou toda sua sensibilidade em uma conversa permeada de ótimos momentos e ensinamentos. Aqui estão algumas das falas que mais marcaram da palestra:

“Esperança é um ato de imaginação”

Uma das coisas marcantes que o autor falou foi que ele escreve sempre a mesma história. Seus livros são sobre um personagem que tenta se imaginar fora da situação difícil em que se encontra. Tratam essencialmente de esperança, de imaginar, em meio ao caos, uma saída possível.

“Eu tinha que me render à personagem”

Seu livro “A Mulher Foge” tem como personagem principal Orah, uma mulher que desafia a sua realidade na fuga, decidindo não esperar para receber as más notícias inevitáveis de seu filho, que está no exército, como se o fato de ela não estar lá fizesse com que a notícia mudasse. Escrevendo, revelou o autor, ele teve um bloqueio ao escrever Orah e, numa tentativa de desbloqueio escreveu uma carta para a personagem em que perguntava porque ela não se rendia a ele. Foi então, escrevendo a carta, que percebeu que para terminar o livro era ele quem tinha que se render a personagem. Aceitar sua feminilidade, colocar-se no lugar dela e não tentar submete-la às suas palavras.

“Um escritor é alguém que se sente claustrofóbico nas palavras dos outros”

Para Grossman, escrever foi uma forma de retomar a sua vida após a morte do filho. Retomar os problemas, dar nome a eles, escrever a sua própria versão dos acontecimentos é, segundo o autor, uma forma de se libertar do papel de vítima. Você não precisa ser definido pela tragédia, pode se apossar dela, ressignifica-la, e a escrita é uma forma de tomar posse dos acontecimentos. Contar a sua própria versão no lugar de viver a versão dos outros.

“Contar história é uma forma de experimentar todas as possibilidades de si mesmo.”

O autor enfatizou que escrever, experimentar os personagens é uma forma de sentir sua fragilidade, de enxergar todos os rumos diferentes que poderia ter tomado se as circunstâncias fossem diferentes. É um exercício de se colocar no papel do outro e isso ajuda a entender, a ser mais tolerante e a julgar menos o outro.

“Literatura é uma forma de música”

Ao revelar que lê em voz alta as últimas versões de seus livros, o autor disse que para ele literatura é uma forma de música. As palavras precisam soar bem aos ouvidos do leitor, o ritmo, a escolha de palavras, os sons, tudo ajuda a contar a história. É uma visão mais ampla e mais poética do texto. Isso também explica porque o autor faz tantas versões, mudando palavras até chegar ao tom exato de cada parágrafo. Ao final da palestra o autor nos brindou com a leitura de um trecho do seu livro mais recente “O inferno dos outros” em sua língua original.

Essa semana estarei lendo a minha cópia autografada de O Inferno dos Outros. Também está lendo? Quer comentar com a gente? Poste nas redes sociais com a hashtag #LeiturasEP