Como é ser escritor independente? Autores respondem

Em 2021, a escritora e colaboradora do Escritor Brasileiro, nosso outro projeto, fez uma série de entrevistas com escritores independentes. Um trabalho excelente para conhecer novos autores e, principalmente, aprender com as experiências deles.

Fiz aqui um compilado das respostas de todos os entrevistados ao longo desse ano para te mostrar que você, escritor, não está sozinho, nas dúvidas, no cansado, nas dificuldades e também nas felicidades de ser um escritor independente.

Como é ser escritor independente?

Se for pra resumir em duas palavras: difícil e cansativo. É uma luta diária, uma montanha russa, um dia as expectativas são as melhores, no outro, a impressão é que não fará diferença nenhuma se continuarmos ou não escrevendo.

Antoon Roos: A montanha russa do autor Antoon Roos

É cumprir todos os papéis que forem necessários, rs! Como independente a gente se vê numa multiplicidade de demandas para uma única fonte. Tem que cuidar de todos os aspectos que envolvam desde criação, produção, divulgação e venda do livro, sendo essencial fazer boas escolhas para produzir um bom resultado, então acho que se resume a muita pesquisa e paciência.

Caroline Pestana: As dicas da escritora Caroline Pestana

Uma loucura e uma delícia. Me descobrir e me assumir escritora tem sido uma jornada incrível. O fato de ser independente não foi exatamente uma escolha, acho que é a porta de entrada de qualquer escritora nos dias de hoje. O mercado editorial não é muito aberto para iniciantes, especialmente mulheres. Por isso, a maioria de nós começa de forma independente, que é uma maneira de tomar nosso espaço, por meio dos nossos textos. Me orgulho muito de fazer parte desse movimento.

Carla Guerson: A sinceridade de Carla Guerson

A maior dificuldade de ser independente é sempre como encontrar a maneira de realizar cada etapa da produção e venda de um livro. No início era difícil transformar meu rascunho em algo legível. Então fiz cursos e tive que me dedicar sozinho a essas tarefas. Depois cheguei na parte de produzir o livro e tive apoio de um estúdio de Curitiba, que me ajudou até a etapa de realização de um financiamento coletivo para produzir o livro.

Depois dessa fase, pensei se procuraria uma editora ou não. No fim optei por imprimir meus livros e realizar a venda por mim mesmo e é nessa fase que estou. Fazendo marketing e vendendo. A grande mensagem que fica para quem quer ser escritor independente é essa: você deve estar pronto para aprender tudo que for preciso, por conta próprio ou com ajuda de outros.

D. R. Laucsen:Os mundos fantásticos de D.R. Laucsen

Eu acredito que é desafiador, porém você aprende muito nessa jornada. Eu me sinto muito feliz por ter começado minha trajetória na escrita enquanto uma escritora independente. E mesmo hoje, que eu já começo a vislumbrar outros formatos de publicação, eu me vejo voltando pra escrita independente inúmeras vezes, porque mesmo sendo muito trabalhoso, existe bônus nisso.

Acho que o principal que eu sinto é essa proximidade, essa identificação com os leitores, com as pessoas que acompanham o seu trabalho. Geralmente quando você lança uma obra de maneira independente, as pessoas que compram o seu livro estão comprando o seu sonho, a sua proposta. Elas estão abraçando aquilo. Então acho que a literatura independente acaba se tornando também esse sonho, essa realização coletiva. Eu vejo dessa maneira, acho que carrego um pouco de utopia. Sempre paro e penso, nossa há trinta, quarenta anos atrás, não seria assim tão fácil você se publicar. E que bom que as coisas sejam assim e que a gente possa valorizar esses caminhos facilitados.

Flay Alves: As ensinancas da escritora Flay Alves

Olha, contrariando as expectativas, no início, quando eu publiquei o meu primeiro livro, eu conseguia lidar com mais facilidade com a escrita independente. Eu ainda não trabalhava com redação e tradução, então meu tempo estava um pouco mais livre nesse sentido e eu conseguia organizar e articular melhor o que eu gostava e achava que precisava fazer.

Hoje em dia, uma coisa muito complicada pra mim é o gerenciamento de tempo. Como eu falei, eu vou lançar a versão física do meu livro e eu não tenho conseguido me dedicar pro marketing dele e falar dele na internet como eu gostaria exatamente porque eu não consigo gerenciar as obrigações que eu tenho com o “trabalho que paga as contas” e com o que eu gostaria de fazer, tanto que pros meus próximos projetos e até para o “Quando sentir, escreva”, eu adoraria que uma editora me notasse e eu conseguisse lançar por uma editora! E nem é pela ideia do encher os olhos com a publicação tradicional porque eu gosto muito de ter controle sobre tudo na vida independente, de tomar as minhas decisões, de aprender sozinha porque você acaba quebrando um pouco a cara e aprendendo assim. Porém, o que hoje pesa pra mim em querer uma editora daqui pra frente é em exatamente ter um suporte pra eu me concentrar mais no que eu quero fazer que é escrever. E conseguir escrever hoje em dia, com os meus outros trabalhos, já é uma complicação.

Então eu diria que ser escritora independente é muito difícil, principalmente no Brasil, mas ao mesmo tempo é muito gratificante. Acho que depende mesmo do seu estilo de vida, da sua disponibilidade de tempo e do seu objetivo enquanto escritora. Tudo depende do seu objetivo de acordo com o tipo de publicação que você quer.

Gabriela Araujo: Os aprendizados da escritora independente Gabriela Araujo

Talvez parte da minha resposta soe como encorajamento p’ra muita gente, ao mesmo tempo que não. Hoje, eu diria que muitas vezes a publicação independente será o melhor dos caminhos. Existem algumas editoras bastante inclusivas no Brasil que se abrem facilmente para novos escritores. Acontece que funciona assim: você paga, eles te imprimem e te distribuem e acabou. Tem editoras nesse nicho que publicam uns 50, 100 livros por ano. O lado ruim de algumas dessas é que elas não se dedicam ao conjunto da obra do seu livro e não há, nem por cima, uma consultoria literária p’ra aparar com mais atenção as arestas de um texto. Você que bote seu livro debaixo do sovaco e vá vendê-lo e você que fique atento também para que o conteúdo saia sem erros e o projeto gráfico agrade.

Há, porém, em menor número, editoras incríveis que optam por publicar uma quantidade menor de livros por ano, p’ra se dedicar melhor ao trabalho gráfico, de identidade visual, de revisão e ao conceito de um livro. A Editora Nós, a Patuá e a Letramento são exemplos disso, de um trabalho mais qualitativo e mais dedicado.

Publicar de forma independente tem seu lado bom. Primeiro, porque é uma forma de se lançar ao mundo e segundo porque é você que cuida da identidade visual, da revisão e tem o controle e a possibilidade de que o livro saia como você quer. Como eu gosto de mexer nessa questão de identidade visual, p’ra mim é um processo prazeroso, mas entendo que uma editora séria pode ajudar um escritor a crescer e a filtrar alguns vícios. Acho bonita a possibilidade de se lançar ao mundo que ser escritor independente nos permite e isso pode ser link p’ra muitas coisas, inclusive p’ra ser publicado por uma editora. Acho que isso vai muito da nossa necessidade como escritor e do nosso conhecimento do processo. Acho que vai de escritor p’ra escritor, porque ser escritor independente vai demandar mais movimentos. As ferramentas que estão disponíveis hoje permitem a um escritor independente fazer um trabalho qualitativo e apresentá-lo com conceito e beleza.

Guimel Bilac: A trajetória como escritor independente de Guímel Bilac

É um tanto difícil, afinal você quem cuida de tudo, mas ao mesmo tempo é muito gratificante, você está sempre próximo ao leitor.

J Blue B: A criatividade contagiosa de J.Blue B.

Uma delícia! É bom ter as rédeas do que se faz.

Jader Pires: A escrita amorosa de Jader Pires

Pra mim é um grande processo de descobertas constantes e superação de desafios e medos internos e subjetivos. Encaro o fato de ser escritora independente como um caminho para a construção de um legado. Hoje em dia não me vejo mais tanto como uma simples escritora independente, mas sim, como uma escritora empreendedora que passou a encarar a escrita como a única forma de viver e de impactar a vida de outras pessoas.

Maria Vitória: A energia da escritora empreendedora Maria Vitória

É uma jornada dupla: escrever e divulgar. No primeiro turno de trabalho o escritor independente escreve, e no segundo ele tenta fazer com o que as pessoas leiam o que ele escreveu.

Paula Gomes: As experiências da escritora Paula Gomes

É uma grande montanha-russa! Algumas vezes me sinto muito feliz e orgulhosa de tudo que conquistei, e em outros momentos me sinto desanimada e perdida. O fato de ser independente tem seu lado positivo e negativo. No lado positivo está o controle sobre as decisões e os passos a tomar, já que sou minha própria chefe! Defino o que e como quero fazer, e realizo o que me proponho de acordo com meu próprio tempo e interesse. Por outro lado, toda essa autonomia também pesa porque é preciso ter constância. Se algo dá errado, a culpa é só minha, não tem ninguém pra dividir essa carga. Então é preciso equilibrar os dois sentimentos.

Na minha experiência, também tem sido uma jornada de muito aprendizado e de conexão com pessoas queridas. O tempo todo descubro algo novo, uma forma distinta de melhorar minha escrita, divulgar melhor meu trabalho, usar uma ferramenta mais interessante, etc. E também vou conhecendo novas pessoas nesse caminho, aprendendo delas e percebendo que por mais que me sinta solitária às vezes, outras pessoas também estão passando pelo mesmo. No final das contas, não estou tão sozinha assim.

Regiane: As conexões da escritora Regiane Folter

Ser escritora independente requer um pouco de criatividade. Hoje em dia está mais fácil mostrar o trabalho devido as redes sociais. A internet nos possibilita, também, encontrar coletivos e projetos interessantes no ramo da literatura. Como tudo na vida, também requer disciplina. E claro, tem que amar ler, LER, ler e escrever.

Renata Py: A serenidade da escritora Renata Py

É um desafio constante, pois não basta pensar apenas no livro, tem que estudar o mercado, saber de marketing, e trabalhar para ser notado.

R.Tavares: As inspirações do autor Rodrigo Tavares

É aceitar a insegurança como parte do processo. É tentar aprender a lidar com isso o tempo todo. É botar a cara a tapa, mesmo. E fazer muitos amigos no caminho, porque eu sou uma romântica que acredita sempre no poder da conexão, do diálogo, da troca.

Thais Campolina: A dedicação da escritora Thais Campolina

Eu acho que a principal característica disso de ser uma escritora independente é a certeza de que a gente não ganha a vida com a escrita e a literatura. A gente sempre precisa dar um jeito, seja com um emprego outro, não relacionado, seja com aulas, cursos, palestras, tradução, revisão, o que for. Acho que “funcionar” como escritora independente tem muita relação com assumir isso com tranquilidade, e entender que ser escritora vai ser uma parte do que eu sou (ainda que eu desejasse que isso fosse meu eu inteirinho).

Ao mesmo tempo, é saber que é sempre uma luta, uma busca. Não é fácil. Mas é recompensador formar nosso círculo, aquela coletividade que se ajuda a crescer, que troca, que vai adiante junto. Criar essa rede de apoio entre pares é muito rico e fundamental para não perder a coragem e a leveza.

Thays Pretti:  Os relatos inspiradores de Thays Pretti

É bom por um lado, porque o produto final tem mais a sua própria cara e a maior parte do ganho é sua, o que não acontece quando uma editora o assume. E pode ser entendido como “ruim” porque é preciso ser não apenas um mero escritor; terá que procurar assessoria para as várias etapas do processo, ou aprender a fazê-las: diagramação, arte, registro, colocação em marketplaces, divulgação…

Zé Elias: As conexões do escritor e facilitador Ze Elias

Curtiu? Não esquece de ler as entrevistas completas dos escritores cujas respostas mais te chamaram atenção e, claro, buscar os livros e ebooks deles dando aquela força para a escrita independente. 😉

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